Quinta-feira, 25 de Agosto de 2011
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Vou só ali ao Uruguay e ... volto logo.



publicado por Gabriela às 23:31
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Quarta-feira, 3 de Agosto de 2011
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Carta do Cacique Mutua a todos os povos da Terra:

O Sol me acordou dançando no meu rosto. Pela manhã, atravessou a palha da oca e brincou com meus olhos sonolentos.

O irmão Vento, mensageiro do Grande Espírito, soprou meu nome, fazendo tremer as folhas das plantas lá fora.

Eu sou Mutua, cacique da aldeia dos Xavantes. Na nossa língua, Xingu quer dizer água boa, água limpa. É o nome do nosso rio sagrado.

Como guiso da serpente, o Vento anunciou perigo. Meu coração pesou como jaca madura, a garganta pediu saliva. Eu ouvi. O Grande Espírito da floresta estava bravo.

Xingu banha toda a floresta com a água da vida. Ele traz alegria e sorriso no rosto dos curumins da aldeia. Xingu traz alimento para nossa tribo.

Mas hoje nosso povo está triste. Xingu recebeu sentença de morte. Os caciques dos homens brancos vão matar nosso rio.

O lamento do Vento diz que logo vem uma tal de usina para nossa terra. O nome dela é Belo Monte. No vilarejo de Altamira, vão construir a barragem. Vão tirar um monte de terra, mais do que fizeram lá longe, no canal do Panamá.

Enquanto inundam a floresta de um lado, prendem a água de outro. Xingu vai correr mais devagar. A floresta vai secar em volta. Os animais vão morrer. Vai diminuir a desova dos peixes. E se sobrar vida, ficará triste como o índio.

Como uma grande serpente prateada, Xingu desliza pelo Pará e Mato Grosso, refrescando toda a floresta. Xingu vai longe desembocar no Rio Amazonas e alimentar outros povos distantes.

Se o rio morre, a gente também morre, os animais, a floresta, a roça, o peixe tudo morre. Aprendi isso com meu pai, o grande cacique Aritana, que me ensinou como fincar o peixe na água, usando a flecha, para servir nosso alimento.

Se Xingu morre, o curumim do futuro dormirá para sempre no passado, levando o canto da sabedoria do nosso povo para o fundo das águas de sangue.

Hoje pela manhã, o Vento me levou para a floresta. O Espírito do Vento é apressado, tem de correr mundo, soprar o saber da alma da Natureza nos ouvidos dos outros pajés. Mas o homem branco está surdo e há muito tempo não ouve mais o Vento.

Eu falei com a Floresta, com o Vento, com o Céu e com o Xingu. Entendo a língua da arara, da onça, do macaco, do tamanduá, da anta e do tatu. O Sol, a Lua e a Terra são sagrados para nós.

Quando um índio nasce, ele se torna parte da Mãe Natureza. Nossos antepassados, muitos que partiram pela mão do homem branco, são sagrados para o meu povo.

É verdade que, depois que homem branco chegou, o homem vermelho nunca mais foi o mesmo. Ele trouxe o espírito da doença, a gripe que matou nosso povo. E o espírito da ganância que roubou nossas árvores e matou nossos bichos. No passado, já fomos milhões. Hoje, somos somente cinco mil índios à beira do Xingu, não sei por quanto tempo.

Na roça, ainda conseguimos plantar a mandioca, que é nosso principal alimento, junto com o peixe. Com ela, a gente faz o beiju. Conta a história que Mandioca nasceu do corpo branco de uma linda indiazinha, enterrada numa oca, por causa das lágrimas de saudades dos seus pais caídas na terra que a guardava.

O Sol me acordou dançando no meu rosto. E o Vento trouxe o clamor do rio que está bravo. Sou corajoso guerreiro, não temo nada.

Caminharei sobre jacarés, enfrentarei o abraço de morte da jiboia e as garras terríveis da suçuarana. Por cima de todas as coisas pularei, se quiserem me segurar. Os espíritos têm sentimentos e não gostam de muito esperar.

Eu aprendi desde pequeno a falar com o Grande Espírito da floresta. Foi num dia de chuva, quando corria sozinho dentro da mata, e senti cócegas nos pés quando pisei as sementes de castanha do chão. O meu arco e flecha seguiam a caça, enquanto eu mesmo era caçado pelas sombras dos seres mágicos da floresta.

O espírito do Gavião Real agora aparece rodopiando com suas grandes asas no céu.

Com um grito agudo perguntou:

Quem foi o primeiro a ferir o corpo de Xingu?

Meu coração apertado como a polpa do pequi não tem coragem de dizer que foi o representante do reino dos homens.

O espírito do Gavião Real diz que se a artéria do Xingu for rompida por causa da barragem, a ira do rio se espalhará por toda a terra como sangue e seu cheiro será o da morte.

O Sol me acordou brincando no meu rosto. O dia se abriu e me perguntou da vida do rio. Se matarem o Xingu, todos veremos o alimento virar areia.

A ave de cabeça majestosa me atraiu para a reunião dos espíritos sagrados na floresta. Pisando as folhas velhas do chão com cuidado, pois a terra está grávida, segui a trilha do rio Xingu. Lembrei que, antes, a gente ia para a cidade e no caminho eu só via árvores.

Agora, o madeireiro e o fazendeiro espremeram o índio perto do rio com o cultivo de pastos para boi e plantações mergulhadas no veneno. A terra está estragada. Depois de matar a nossa floresta, nossos animais, sujar nossos rios e derrubar nossas árvores, querem matar Xingu.

O Sol me acordou brincando no meu rosto. E no caminho do rio passei pela Grande Árvore e uma seiva vermelha deslizava pelo seu nódulo.

Quem arrancou a pele da nossa mãe? gemeu a velha senhora num sentimento profundo de dor.

As palavras faltaram na minha boca. Não tinha como explicar o mal que trarão à terra.

Leve a nossa voz para os quatro cantos do mundo clamou O Vento ligeiro soprará até as conchas dos ouvidos amigos ventilou por último, usando a língua antiga, enquanto as folhas no alto se debatiam.

Nosso povo tentou gritar contra os negócios dos homens. Levamos nossa gente para falar com cacique dos brancos. Nossos caciques do Xingu viajaram preocupados e revoltados para Brasília. Eu estava lá, e vi tudo acontecer.

Os caciques caraíbas se escondem. Não querem olhar direto nos nossos olhos. Eles dizem que nos consultaram, mas ninguém foi ouvido.

O homem branco devia saber que nada cresce se não prestar reverência à vida e à natureza. Tudo que acontecer aqui vai voar com o Vento que não tem fronteiras. Recairá um dia em calor e sofrimento para outros povos distantes do mundo.

O tempo da verdade chegou e existe missão em cada estrela que brilha nas ondas do Rio Xingu. Pronta para desvendar seus mistérios, tanto no mundo dos homens como na natureza.

Eu sou o cacique Mutua e esta é minha palavra! Esta é minha dança! E este é o meu canto!

Porta-voz da nossa tradição, vamos nos fortalecer. Casa de Rezas, vamos nos fortalecer. Bicho-Espírito, vamos nos fortalecer. Maracá, vamos nos fortalecer. Vento, vamos nos fortalecer. Terra, vamos nos fortalecer.

Rio Xingu! Vamos nos fortalecer!

Leve minha mensagem nas suas ondas para todo o mundo: a terra é fonte de toda vida, mas precisa de todos nós para dar vida e fazer tudo crescer.

Quando você avistar um reflexo mais brilhante nas águas de um rio, lago ou mar, é a mensagem de lamento do Xingu clamando por viver.

Cacique Mutua

 


 



publicado por Gabriela às 07:16
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Belo Monte e a tragédia ambiental e humana...os grandes interesses económicos acima de tudo...milhões e milhões vão ser gastos na construção de uma usina hidrelétrica, no rio Xingu, estado do Pará, fronteira com o estado da Amazónia ... há tribos índias a quem vão ser retirados terrenos-reservas, vão ser desalojados das terras dos antepassados..só quem priva de perto com índios, sabe o que isso representa para eles...tribos já tão massacradas e tão dizimadas ... há "sítios" (aldeias) que vão ser destruídas e os moradores alojados em outras zonas ... ninguém entende uma obra desta envergadura num rio que, segundo os habitantes e os índios, tem grandes vazamentos e secas no verão.

 

Rio Xingú:

 

 

Na confusão entre progresso e desenvolvimento ...... destruímos a Terra ....



publicado por Gabriela às 07:12
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Piauí, Rondônia, Pará, Amazónia sofrem desmatamento permanente de largas centenas de hectares por dia...ativistas ambientais são assassinados ainda em emboscadas, no meio da selava onde moram...já vi muitos a chorarem as árvores centenárias, como a castanha do Pará, mortas a serra elétrica...vi uma castanha do Pará cuja largura era o equivalente a 8 homens com os braços bem esticados a rodeá-la...2 meses mais tarde restava um coto, largo, enorme e ferido...ferido de morte...os principais ativistas que viviam na e da selva, em barracas pobres, denunciaram estas e muitas outras situações em palestras, congressos e reportagens da televisão... eram permanentemente ameaçados de morte pelos madeireiros...e foram mortos a tiro...todos eles...

 

castanha do Pará..ainda bebé:

 

 

 

 

 



publicado por Gabriela às 06:37
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Quinta-feira, 28 de Julho de 2011
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Tenho que construir um bólide amarelo.

As peças são estranhas. Até têm um cavalo de baloiço … será a suspensão?

Gosto daquela mecânica das oficinas dos carros velhos que insistem em serem consertados (ide, ide para a sucata…mas não…teimam em andar aos soluços ou, não andar). Gosto do carrinho que desliza para debaixo dos carros (as rodas serão feitas de rolamentos iguais aos que nós fazíamos quando éramos putos?)

Também gosto dos fatos macacos azuis cheios de nódoas pretas (sempre quis ser mecânica de oficinas de carros velhos e ser motorista de pesados…não sou nem uma coisa nem outra, daí veio o descambo), adoro, mas adoro mesmo, o esparadrapo (eheheh), a viscosidade do óleo dos motores (ahhh…que prazer enorme abrir o capôt, desencaixar o ferrinho enorme, metê-lo (soa mal) até ao fundo (voltou a soar mal), tirar, (auchhh…soa tudo bué da mal) olhar com ar de entendida, abanar a cabeça…”não precisa de ser mudado, está ainda com boa cor e o nível normal”) não gosto das unhas pretas nem do cabelo oleoso e, para ser franca, também não gosto dos calendários das oficinas dos carros velhos, aqueles com mulheres nuas, em várias posições, em carros novos e brilhantes… mas gosto, à brava, de Pin-Ups .

 

Mas … dizia eu … tenho que construir um bólide amarelo descapotável e encaixar as peças estranhas, em locais certos, mas também estranhos.

Só depois disso poderemos colocar um lenço na cabeça, ao velho estilo de Holliwood (gosto) e fingirmos que somos alguém….ou poderemos brincar de Bonny and Clide, ou de Thelma e Louise.

Posso ser a Susan? Ficas melhor de Geena.

 

Depois é fácil…voamos pelo penhasco … à velocidade do bólide amarelo. E temos que brincar muito depressa, mesmo muito depressa…os super estão ready e não tenho mais whispers.

 

Whispers to me?

Juro-te que, antes de te tocar, limpo as mãos ao esparadrapo.

 



publicado por Gabriela às 07:51
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... porquê as de pão francês e não de pão de alho?

 e as de macarrão com queijo? faz algum sentido?

e depois são feias, com molho a escorrer ...

 

blaghhhh .....



publicado por Gabriela às 07:16
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Terça-feira, 26 de Julho de 2011
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Nem eu entendo..quanto mais tu

Mas é nos mergulhos dos regadores que me encontro quando te deposito em grupinhos de 6, todos alinhados, em fila, ordenados, a distância que os separa é a mesma, a olho, só um, mas é a mesma, alerta e em sentido e vai de 1 e 2 e 3 e 4 e 5 e 6 e 7 e 8, 8 vezes em que a água te encharca, regalame com tu semilla, que …pufff… é uma 4 july? Uma holly oak? Cocoa maybe? Sartre? (não vale a pena procurares a Simone…se fué hasta un ratito)

E não penses que me encontras na inglesa. A opção está cerrada, quando muito, espreita no farol ou no pagode…não estou aí, mas também não importa…é que o airship perdeu-se por entre as orchards construídas por um exército não de laboriosas formigas mas de serventes de pedreiros. Nunca entendo porque não vem também os sacos de cimentos e a água. Gosto do barulho metálico da pá a misturar o pó e a água. A mistura já pronta, uma massa compacta e a dança da pá continua. Enche, vaza, enche, vaza. Alguém saberá quantas vezes são necessárias, se é uma espécie de ritual, se é só porque, tal como eu, gostam do barulho metálico da pá?

Gostava do ginkco. A cor do Outono e as silver map (em 3 cores…numa só tenho em 2 cores). Mas as tabuletas existem para provar, nem é preciso fazer a prova dos nove, falho-a sempre, onde falhei eu?, pergunto-me tantas vezes, e não, não chego lá, as gravuras de Monet, duas, não uma, duas, uma para mim, outra para ti, não outra para quem apanhar, ela apertada entre livros, ao lado das brancas bolinhas minúsculas, mini flashes de prazeres embutidas em blisters de folha de alumínio, prata, devia ser ouro, diamantes, mas prata apenas, para grande gáudio meu, toma, toma, toma, na mesma proporção que o teu olhar inocente, tão puro, espelho do mar e do céu, me engana, me trai, me tenta (?), e a bonança que antevê a tempestade, não dessas com que a natureza gosta de me brindar, mas aquelas que me estilhaçam, despedaçam, eu encolhida a suar, num canto do farol, o círculo de luz que não pára, não pode parar, semillas e semillas alinhadas, em fila, ordenadas, a distância que as separa é a mesma, a olho, só um, mas é a mesma, alerta e em sentido e vai de 1 e 2 e 3 e 4 e 5 e 6 e 7 e 8,

 

e …pufff…surprise !!!!

 

regalame com una que no exista para que las raíces no sequen e 1 e 2 e 3 e 4 e 5 e 6 e 7 e 8 e nada, nothing, rien, niente, nichts, niets, ezer, no

surprise, hora do smille triste…

 

deixas-me colocar o boneco a vomitar verde, deixas?

Back to black?

Back?

U allways be there

Whom?

U ana..u ana eu …



publicado por Gabriela às 03:25
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Domingo, 24 de Julho de 2011
R.I.P.
... Club 27 ...


publicado por Gabriela às 01:03
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Sábado, 16 de Julho de 2011
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... Te extraño …

 

Larguei o meu uivo à lua

Creio que não deste por ele

O eco perdeu-se numa das crateras

 

... RO HAYHU ...



publicado por Gabriela às 20:39
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Jéusiyax Lezcano

 

 

... Tribo Maka ...

 

só restam 2.000 ... foram todos dizimados ...

vivem da caça... (comem tudo o que mexe) e do artesanato que vendem pelas ruas de Asunción....vivem a 2h da capital...a reserva que lhes foi atribuída é árida e seca, não há como plantar, não têm electricidade, a água é da chuva guardada numa cisterna e repartem entre si tudo o que têm ... apesar de tudo, conservam, ainda, um ar sereno, doce e feliz ...



publicado por Gabriela às 20:30
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... as assimetrias ...



publicado por Gabriela às 20:27
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... Vive-se bem ...

 

 

 

... também se vive assim ...

 

 

 ... e alguns "restaurantes" do povo são assim ...



publicado por Gabriela às 20:18
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... O Palácio do Governo ...

 

 

 

 

 

... E a luta dos que nada têm ...



publicado por Gabriela às 20:14
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... Artesanato ...

 

 

Vive-se assim:

 

 

mas também assim:

 



publicado por Gabriela às 20:09
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Sábado, 9 de Julho de 2011
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... Vou só ali, ao Paraguay e depois continuo sem escrever ....



publicado por Gabriela às 19:23
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Domingo, 9 de Janeiro de 2011
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"…Nenhum deles sabe de onde vem o incómodo daquela falha súbita na intimidade, aquela quebra como uma fenda na paisagem. Ambos esperam que o outro volte a reunir o que parece separado, mas nenhum deles sabe realmente a distância entre ambos…

 

Aquariofilia, Luís Soares

 



publicado por Gabriela às 00:28
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Segunda-feira, 3 de Janeiro de 2011
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... Ando sempre perdida e é sempre o caminho que me encontra ...



publicado por Gabriela às 02:55
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Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010
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Dias de quase reclusão num convento em Lagoa Seca, capela sem imagens sangrentas, esculpida em madeira por um índio. E eu que nem sou dessas coisas, sentada nos bancos corridos de madeira, extasiada com aquela beleza, atenta a todos os pormenores, imaginando o índio de escolpa na mão (terá usado escolpa?), debaixo de uma árvore frondosa, traçando veias e artérias na madeira enquanto o espírito de águia voava por entre os deuses do universo, tentando que na arte do índio, não fossem esculpidos os espíritos dos animais, mas sim, imagens de um deus incutido à força, o mais poderoso, aquele que ele foi obrigado a venerar, quase esquecendo os seus, e os dos seus antepassados, mas presentes nos desenhos com figuras desenhadas por si, animais em voo, espíritos livres dos seus antepassados, agora presos na madeira de uma capela católica, num convento, perdido na serra.

Foi aqui, numa noite de lua cheia, sentada no claustro que vi um sapo com 2kg. Nunca tinha visto, como nunca tinha visto diante de mim, numa árvore centenária, centenas de saguins, soltos e livres, subindo e descendo e saltando ramos, descendo o tronco, subindo o tronco e eu a pensar:”que fazem eles? Parecem formigas mas nada trazem de alimentos e eles frenéticos, o meu pensamento frenético, querendo à força entender que loucura era aquela e o porquê daquela agitação e dez minutos depois a noite muito negra, rajadas de vento e água, muita água, em bátegas, varrendo tudo.

Na estrada, poeira e buracos e saltos a cabeça quase a bater no tejadilho, de quando em quando, a bater nos encaixes da janela, os ovários na garganta, o útero perdido algures por entre os metros de intestino, a cobra enorme, morta à paulada no meio da estrada. Que parva, porque escolheu aquele momento para atravessar a rua? Porque não, à noite, quando tudo é pardo e os homens aquietam a violência, pendurados nas redes que fazem de camas? A língua bifurcada de fora, a boca entreaberta, ensanguentada, os olhos verdes, parados e abertos de espanto na morte que lhe chegou, sem ela contar. Ela sábia, esguia, rasteira, habituada a hipnotizar os mais fracos, sem ter conseguido hipnotizar a morte, ludibriar os homens, as casas pobres, sem nada, os pobres sem nada, parados no tempo, sentados nos degraus das portas, o fogo apagado, nada para comer, a vegetação seca, o inhame que ainda nem sequer despontou, crianças sujas, esfomeadas, chutando uma bola feita de trapos e meias, chutando a fome e a miséria, tentando à força, que aqueles pezinhos e aquela bolinha se transformem em ronaldos, ronaldinhos, campos cheios, barriga cheia, casas cheias, não mais fome nem miséria, nem fogo apagado, nem pratos vazios, campos de inhame e aplausos, holofotes em cima, a vida iluminada, conta no bb e a Europa no raio da visão, enquanto a bola, também ela esfomeada, entra, por entre dois paus espetados na terra seca.

Esvazio a mente destas imagens, enquanto mergulho nas águas cálidas, nado debaixo de água, vejo peixinhos de cores brilhantes, apanho conchas, no fundo, bolhas de ar, bruhuh, bruhuh, bruhuh, bruhuh, venho à superfície e por entre as palmeiras carregadas de cocos, as redes de pesca, puxadas à mão, grupos de homens e mulheres, algazarra de vozes, costas dobradas sob um sol escaldante, catando siris, peixinhos do tamanho do dedo mindinho, atirados para um balde, iscos para mais tarde, quando todos, ao invés de se aquietarem nas redes, se fazem ao mar, canoas esculpidas em troncos enormes de árvores, cortadas à machadada e o índio da capela, longe, mas a sua alma de águia altiva planando nos céus.



publicado por Gabriela às 16:52
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Sábado, 9 de Outubro de 2010
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HOMENAGEM A UM HOMEM QUE SEMPRE LUTOU CONTRA A VIOLÊNCIA. FARIA, HOJE, 70 ANOS SE NÃO TIVESSE SIDO FRIAMENTE ASSASSINADO. ... PEACE AND LOVE - JOHN LENNON ...


publicado por Gabriela às 06:53
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... Ainda não foi desta que o Nobel foi parar ao António Lobo Antunes, imerecidamente...



publicado por Gabriela às 06:52
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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010
mail recebido...

amorzinho...

 

já mudei de quarto.

Hoje de manhã era uma fila de baratas a sair do ralo do banheiro enquanto  tomava banho...

todas em fila a fugirem na direcção do quarto. Passei-me dos carretos e achei que era ecologia a mais. Equilíbrio sim...mas nem tanto!

Até porque as formigas não andavam por ali.

A senhora pediu desculpa e disse que era de um aterro que está na parte de trás e que desinfectam periodicamente tudo, mas as malvadas não desaparecem.

Assim vão as coisas no Pará, terra de índios, nomes de índios o que me faz pensar que durante a noite não me aparecerá um Tucumã com o arco e a flecha apontados à minha cabeça e com as penas a esvoaçar de raiva.



publicado por Gabriela às 19:45
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Sábado, 7 de Agosto de 2010
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... A MINHA PEGUEGUITA FAZ HOJE 30 ANOS ...



publicado por Gabriela às 16:06
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Quinta-feira, 22 de Julho de 2010
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Hojeapetecemeassimporquetambempordentroaamalgamaeestanemacentosvouporfoioenegenheiroalcoolicoanoiteuenteoolhardeleasolidaoeoostracismobemlatentesnoolhareuaoprincipioduratalcomoontemhojeasentirmeidiotaquemsoueuparanaodarcontadaqueleolhareleamendigardoisdedosdeatençaoeuarmadaemparvaedpoisacairemmimepreferivelumalcoolicobebadodesolidaoeostracizadoquealgumasmuitastantasoutraspessoascomquemmuitasvezessoubrigadaafalarnãoaconversarafalaredepoisnemsequercustouabrisaestavaquenteouviaoalongeasondasbravasdomareestecheiroqueesempreumanovidadeparamimporqueaindataodesconhecidoemboraporvezestaoconhecidoestavaeraesquecidoporexemplotergoiabasemcasaabriraportaeocheirobatercomtodaaforçaeocheirodaterramolhadaagoraqueeinvernouminvernodetrintagrausomsolederepenteumventoforteederepenteumavalentecargadeaguaondejaseviuelogoaseguirvoltaosolcomtodaaforçaeficaocheiroumcheiroquesoseencontraporestesladosaindanaovimorcegosondeandaraoelesnomogeirotambemnaovinemnositiopintadotenhoqueencontrarmorcegospenaqueaesplanadaondejantonaotenhamorcegoscomohavianomamoeirodaminhacasaeeuanoitesentadaporbaixoextasiadacomeleseramlargasdezenastodosafazeropinoeuadelirarcomaagilidadefaziaomesmonumramodeumamangueiraenrolavaspernasnoramoacabeçaparabaixoeeramorcegomorceliegoestarabemescritomorceliegoseilaenaoquerosabergostodaplavramorceliegoegostodemorcegosequeroestarsentadanaminhaesplanadaanoiteevermorcegosemorceliegosenaoalcoolicosdeolhartristesoeostracizadoportodoseeterrivelporquenaomeconsigodeitarahorasdecentesdeitometardissimotudoporcausadanoiteedavarandadeondeavistoomareacordocomoamanhecerascincodamanhaeenavarandaquequeroestarnaohaamanhecercomoestestropicaisnemnoitescomoestaseeuaressentirmepoucashorasdesonotragocomigoosditadospopulareslevantarcedoecedodeitardasaudeefazcrescersaudeateprecisocrescernaosoualtaconfumdemmesempremeconfudiramcomalemaouholandesaqueeusaibahaviaumbisavoespanholfuiestupidaquandofizumainvestigacaoemcienciasdasreligioesnaoterpedidoaminhagenealogiaporquenaigrejaondeestavaapesquisartinhamtodosdadosmaseramtaosimpaticoseualielesaquererembaptizarmeeuaevitartudosempreialaagorapedirmaisumfavorenaodarnadaemtrocafeionaoemasagorapodiadizerquesimumantepassadoalemaoouholandesounaosooespanholadarmeestacargafisionomicaqueherdeijuntocomomeuirmaodaminhavoosoutrosnetoscomolhosescuroscabelosescurosenaotaoaltossecalharcrescimaispormododosmorcegosmorceliegoseudecabeçaparabaixonoramodamangueiraeaspernascresceramotroncoesticoueubemdigoquegostodemorcegosmorceliegosumamaçadanaohaverdebaixodeumaarvorenositioondejantohasardoesquejaosvihaateumquemefazcompanhiatodasasnoitesesempreomesmotemlugarcativodecaçadeveserochefedeumgrupodelescomosechamaraumgrupodemuitossardoeshamanadasbandoscadumeseeteceramasparalagartosgrandesoupeuenosquenomesedánenhumnaoeosenhoralcoolicojaestaraadormiruaindaabebereafalarcomeleproprioosalcooliosmonologamsemprepormaisquetentemdialogareutambemmonologosempremonologueigostodemnologarosmorcegosmrceliegosmonologoraotambemagoranaoquerosabernemmeimportavoutentartravarumdialogocomaalmofadaedeixardesermorcegamorceliega.



publicado por Gabriela às 04:34
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Segunda-feira, 19 de Julho de 2010
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... Para a K. F. ...

 

Nunca tive pressa.

Sabia que, um dia, irias aparecer.

Era só saber esperar e nisso sou perita. Não que não tivesse alguns entusiasmos, não que não me tivesse embriagado, por momentos, dias, semanas, com um, ou outro caso. Nada de sério, confesso-te agora. Porque era por ti que eu esperava. Era a ti que me queria dar e caminhar pela vida de mãos dadas contigo.

Tudo o resto não importava. O sabor meio-amargo das relações falhadas era, apenas e só, a certeza que irias chegar.

E nunca tive pressa. Sabia bem que as paixões são efémeras, o amor, esse nunca o é.

Passei anos, calmamente, por entre ruas, ruelas, esquinas, jardins, a espreitar se aparecias.

E um dia chegaste.

Contigo veio o sol, a lua, o imenso oceano, as estrelas, a luz. E contigo veio também a certeza de que, apesar de o amor ser um lugar estranho, tu e eu abrigávamos-nos nele.

E ele cobria-nos num manto de ternura, embalando-nos, enquanto recostados em nuvens, planeávamos juntos a nossa caminhada pela vida. De mãos dadas, sempre de mãos dadas.

Estás doente, agora, e eu estou doente também. Mas, não ouses sequer, nem por momentos, abandonar-me. Permito-te tudo menos isso.

És tu o amor. E sem ti a minha vida não faz sentido. Sem ti, já nada espero, sem ti, quem me abraça é a noite escura, fria e sombria.

Porque meu amor, apesar de o amor ser um lugar estranho, nós habitamos nele, enrolados em posição fetal.

E é dentro dele que queremos caminhar, de mãos dadas, sempre de mãos dadas.



publicado por Gabriela às 02:17
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Segunda-feira, 12 de Julho de 2010
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O ano passado, às 5 da manhã, acordei a minha neta com beijinhos e muitas festinhas na cara.

Ela abriu os olhos e sorriu para mim...fazia 11 anos e teve a prenda com que sonhava há muito.

Este ano, não a vou acordar com beijinhos e festinhas.

Nem sequer a vou ver.

O sol da minha vida vai fazer 12 anos daqui a 20 minutos.

E daqui a 20 minutos eu vou à varanda, ouvir as ondas do mar, sentir a brisa da noite quente,olhos perdidos no mar, soltar um uivo para a lua cheia,e fazer de conta...vou fazer de conta...hoje tem mesmo que ser.

Vou fazer de conta que te estou a dar beijinhos e a fazer festinhas na cara. Como fiz quando te vi nascer, como fiz durante 11 anos.

Vai ser a única maneira de conseguir não chorar.

... Porque, querida Bé, a vovó morre de saudades tuas ...



publicado por Gabriela às 04:38
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Sexta-feira, 25 de Junho de 2010
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Deixei-vos a todos naquela linha imaginária que traça o regresso às umas quase origens. No ar, ficou o meu aceno, frágil aceno, derreada com o peso da mochila e de chapéu de palha na mão. Dentro de mim os vossos sorrisos, a vossa face de meninas-mulheres (bebés, sempre bebés), eu partida ao meio, em cacos espalhados num chão de mosaico feio e derreada como estava, nem me preocupei em tentar juntá-los. Ainda lá estão… cacos que reflectem o abraço bem apertado junto ao teu corpo de menina com quase 12 anos. E embalei-te comigo, dentro de mim, aconchegada pelas águas calmas ou revoltas, sei lá, do oceano que agora nos separa. A ti deixo-te as vírgulas, as “caninas”, entrave à minha escrita e quase me apetece encarnar no “Adeus Português”, só nessa parte da não pontuação, quando dou por mim com ela na ponta da caneta mas sem saber ao certo onde a colocar. Naquela bolsa interior da mala que tem um fecho de correr, quando vieres, trá-las. Não te esqueças. E o tempo pára às 5 da manhã, já dia, a aragem quente a afagar-me o corpo, enquanto beberico leite com chocolate e fumo, olhar preso ao mar que da minha varanda, na cadeira de plástico, me leva de novo até vós e, há, numa outra cadeira, já não de plástico, enquanto fumo, rodeada de verde, o anúncio da oficina, que me prende o olhar e me faz esboçar sempre um sorriso, “Martelinho de Ouro”. Perco-me no mercado lúgubre e sinistro, as barracas minúsculas cheias de cheiros, uns conhecidos, outros não, aquela Singer preta, enorme e muito, muito velha, mas que já nos ultrapassou a todos na sua imortalidade, apesar de, com certeza, ser oleada nas articulações por modo a retardar o mais possível as artroses. O frasco do óleo será igual ao que existia lá em casa da minha infância, para olear a Singer que, embora da mesma família desta, seria de gerações mais novas? “Senhor, bom dia”, digo, no passeio, entre dois pequenos montes de maçarocas, “isso aí vermelho no saco de plástico é pitanga?” “Não, senhora, não é”. (Há, pelo menos, 40 anos que não voltei a ver pitangas. Natural, o engano, não?). Desvio-me dos entraves no passeio, gente que circula, produtos de todos os géneros, espalhadas ou em monte, para venda, mais à frente uma tampa de esgoto mal vedada, a verter líquido de cheiro nauseabundo, a subir-me e a socar-me as narinas e a brisa, a brisa quente a aquietar-me, “ó gente da minha terra”, eu a tentar atravessar uma rua larga, enorme, não rua, avenida, carros e motas e bicicletas e ónibus e carrinhas e camiões, tudo a dobrar, claro, um olho a direito, outro vesgo que teima em se fixar nos mosaicos onde deixei os cacos, e eu “senhora, bom dia, onde há uma passadeira?”. Era tão longe que desisti e lá fui, não sei se andando, se dançando, uma mistura de passos desajeitados, não ando assim, também não danço assim, e o braço estendido a mandar parar tudo o que circulava, depois os dois braços, porque eram carros e motas e bicicletas e ónibus e carrinhas e camiões, sem ser sequer um trânsito ordenado. A Avenida da República ficou longe, a 2ª Circular mais longe ainda, onde estão as expressões do Bernardo? E o teu telefonema às 5 da manhã, eu a desligar para te tentar ligar, sem conseguir, tu a insistires, eu a desligar, “a miúda vai ficar sem saldo”, por fim a atender e tu zangada porque não atendi à primeira e me querias dizer que estavas cheia de saudades. Eu a dizer-te…”é caro, vais ficar sem saldo” e tu “mas eu tenho saudades tuas” e eu “foda-se”, eu preocupada com o saldo, partida ao meio em cacos, espalhados nos mosaicos do aceno frágil e, mais tarde, no chão mal cheiroso, acho que os vou espalhando por onde passo, e preocupada com o saldo, quando apenas o que queria era ter-te comigo, nem sequer, era falar contigo ao telefone, era ter-te comigo. Entendo tão bem os teus silêncios, embora anseie por te ouvir, é tão difícil ouvir-te, embrulhas-te em silêncio, calas o que consentes e o que não consentes, em vez de gritares, partires a loiça e sofres em silêncio…onde vou estar quando precisares que eu te abrace? …quero-te tanto, pequenina, sol da minha vida. E depois, não sei se há mais porta-moedas esquecidos na caixa do correio e lixo debaixo da mesa da cozinha. Começa a pairar sobre a sua cabeça, nuvens opacas que lhe toldam o raciocínio. E eu, na varanda, às 5 da manhã, a brisa quente a afagar-me o corpo mas não a alma, essa, presa, tal como o olhar, no mar, esse imenso oceano que nos separa, no ar ficou o meu aceno, frágil aceno porque derreada com o peso da mochila, o chapéu de palha na mão e vocês as duas, sem poderem transpor a linha amarela, não a linha imaginária que traça o regresso a umas quase origens, porque essas, também vos correm nas veias, três gerações de imbondeiros, restos dessas raízes são as vossas veias e artérias, no mais profundo do vosso olhar, habita o soba, e eu aqui, ainda aqui, a desejar ser a feiticeira da tribo, lançar um feitiço que estilhaçasse o mundo e o oceano, em raios, trovões, relâmpagos e que, num deles, viesse a impossibilidade da separação, essa palavra que toma forma animalesca, selvagem, brutal, sedenta de sangue e dor e que se incorpora, sem ao menos pedir licença, toma assento, instala-se confortavelmente, sem ao menos “ importa-se que me instale?”. Foi isto que sentiste no porão do navio Europa, não foi? E Nova Zelândia murmura-te ao ouvido. Não oiças. Tapa as orelhas como fazias em pequena quando eu ralhava contigo. Eu tapo também, e, quem sabe, cai um feitiço e estilhaça o mundo e o oceano, em raios, trovões e relâmpagos.


publicado por Gabriela às 13:20
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Sábado, 19 de Junho de 2010
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Já passa da meia noite...já é dia 19

mas, hoje, dia 18/06, morreu José Saramago...

Resta-nos António Lobo Antunes...



publicado por Gabriela às 00:34
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Quarta-feira, 12 de Maio de 2010
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... Eu, que sou ateia desde os meus 12 anos, vi, hoje, the pope, no seu popemobil ....



publicado por Gabriela às 17:09
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Quarta-feira, 5 de Maio de 2010
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Será que a paz de espírito reside na auto-exclusão?

nas rupturas totais?

materiais, financeiras, sociais, familiares, afectivas?

acho que vou acabar a minha vida como sem-abrigo...



publicado por Gabriela às 21:57
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Sexta-feira, 5 de Março de 2010
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... Já me esqueci como é o sol ....



publicado por Gabriela às 11:09
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