Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007

LIVROS

NOVA REMESSA DE LIVROS:

"Loucura" de Mário Sá Carneiro

"Debaixo de uma redoma" Anaïs Nin

"A erva vermelha" Boris Vian"

"Terra dos homens" Antoine Saint Exupéry

"A Papisa Joana" Donna Woolfolk Cron

"Prenúncio das águas" Rosa Lobato Faria

"Em Busca" Naguib Mahfouz

publicado por Gabriela às 08:10
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Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007

IN MEMORIAM

AS PERDAS

Recordo a primeira. Nasceu no dia em que começa a Primavera e chamava-se Glória.

Fecho os olhos e...a imagem dela invade-me. Aquele corpo magro, ágil e elegante. Andar de garça, olhos de gata... verdes e, em contraste, doces e serenos. As mãos que me afagavam, a sua presença protectora, a partilha na imaginação das brincadeiras de criança..."não estejas à pesca sem pôr o chapéu..." e, era ela que, de noite, me mudava o pijama alagado, me esfregava o peito com cataplasmas mágicas e ao pescoço me atava um lenço, com algodão embebido em álcool.

O medo de a perder era patológico...mas perdi-a. Vem-me à ideia um corpo hirto, frio e de uma cor estranha. Era ela, mas eu não achava que fosse. Afaguei-lhe a face convencida que ela me iria olhar e sorrir como só ela o sabia fazer.

Não o fez...foi a primeira vez que me ignorou!

E eu tomei consciência, nesse momento, que a tinha perdido...para sempre.

Não, para sempre não. Ela ainda vive dentro de mim, nas minhas memórias ela habita e comigo convive. Mas, já não a tenho. Perdi-a.

Aqui há tempo, não há muito, reencontrei o seu cheiro. Alguém passou por mim e eu inalei o aroma. Era o odor do pó de arroz que ela todas as manhãs colocava com uma esponjinha cor-de-rosa. Desde então, eu cheiro a ela e o cheiro dela está permanentemente comigo.

Faz-me tanta falta.

Não há um único dia que passe que eu não sinta uma enorme e dolorosa saudade.

 

publicado por Gabriela às 11:53
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Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

HOMENAGEM A...

 

ZECA AFONSO

MORREU HÁ 20 ANOS...

 

publicado por Gabriela às 10:21
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Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

À TUA PROCURA

Fui à varanda quando acordei…o dia está bonito e o Tejo ao longe, mostra-me águas serenas…também eu estou serena.

Vou até à praia.

Deixar pegadas na areia.

Gosto de deixar pegadas na areia e de brincar com elas. Andar a pisá-las ao contrário, em desequilíbrio total, mas sem cair.

Não gosto de cair, apesar de estar sempre a cair.

Se me vires, acena-me…correrei ao teu encontro.

Tenho tantas coisas para te mostrar…

O ninho de gaivotas que encontrei perto do moinho, por exemplo. O pedaço de madeira carcomido e enrugado de um navio.

Juro-te que é de um navio. E grego!...

Afundou-se (não me perguntes quando, porque isso não sei) mas afundou-se no Tejo (isso tenho a certeza).

Se quiseres, até te conto a história do navio.

Sei que vais acreditar. Tu gostas das minhas histórias.

Disseste-me isso uma vez, quando te contava a história das ondas.

Lembras-te?

Se não me vires, não faz mal.

Eu volto à praia.

Quando, não sei… mas volto.

Pode ser que nessa altura, queiras estar comigo.

publicado por Gabriela às 11:25
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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

MUSSULO

Era aqui, que eu passava fins de semana quando era criança...

publicado por Gabriela às 12:19
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Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2007

NOVA REMESSA A NÃO PERDER...

PECADOS ÍNTIMOS

A PROFECIA CELESTINA

 

O GRANDE SILÊNCIO

O BOM PASTOR

 

DIÁRIO DE UM ESCANDALO

 

ENTRE INIMIGOS

publicado por Gabriela às 11:48
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NADA

Não te esqueças do pacto que fizeste, naquele dia em que o sol beijava a lua no preciso momento em que, dentro de ti, o eclipse lunar explodia em estrelas cadentes.

Saíam asas da tua boca e raios amarelos das pontas dos teus dedos,

duas pedras da cor da esmeralda engastadas em dois riscos pretos

que reflectiam…

reflectiam o quê, sua parva?

O momento em que saltaste da ponte e a quiseste como tua?

que sangraste que nem uma porca

e, mesmo assim, a quiseste para ti?

Reflectiam o quê, sua parva?

As asas que não tens, os raios que se dispersaram?

E essas pedras da cor da esmeralda…

Isso interessa para quê, idiota.

Alguém entra nelas e se perde no emaranhado dos teus afectos?

Não são asas de borboletas, há muito que elas deixaram de esvoaçar e de zelar pelo teu sono.

São asas de morcegos, de abutres, aves de rapina que se escondem de noite, predadoras, hipnotizantes.

Aliás, essa cor, a da esmeralda, engastada entre dois riscos pretos, são de serpente cascavel. É por isso que ficas estática, como um ser indefeso, ondulante, rastejante, alerta à presa que se escapa, deixando um trilho de pele, rasto de cascavel…

Há muito que sei que te escondes em prados verdejantes, cobertos de papoilas vermelhas. E sei que procuras a branca, rara entre as vermelhas, para uma vez mais, qual abutre, sugares o sumo, a pasta leitosa, o ópio que te adormece, e sei, sua imbecil de merda, como tu também sabes, que esse sono não é eterno, mas feito de intermitências.

Deixa-te estar, queda-te em câmara lenta, são instantes, não os queiras para ti, não os retenhas dentro de ti, deixa-os passar, são tão rápidos, tão velozes…deixa-os ir, deixa-os partir…

Nesses momentos até podes pensar nas pedras da cor da esmeralda mas, e que isso fique bem claro, na tua mente de atrasada mental, são só pedras, não inventes que são mais do que isso, porque não são.

Reduz-te a esses instantes velozes, rápidos e que não queres e não vais reter...são instantes insignificantes, rápidos, velozes, com órbitas brancas, sem verde, sem riscos pretos, sem campos de papoilas, sem borboletas que zelam o sono, sem raios, sem asas, sem rastos de serpente, sem pele, sem sono, sem ópio, sem intermitência, sem ponte, sem instantes e, cabra de merda, sem afectos.

 

 

publicado por Gabriela às 11:15
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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

O GRITO

 EDUARD MUNCH

 

publicado por Gabriela às 15:43
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ESQUIZOFRENIA

A MINHA ESQUIZOFRENIA

Foi-me diagnosticada aos 6 anos.

Adorava pescar e costumava fazê-lo num oceano imenso de cimento, que ficava entre um rectângulo enorme de terra (onde seria construída uma piscina e que, servia também, para jogar ao território) e um canteiro de roseiras, abetos, avencas, etc.

O meu barco não era muito grande e, às vezes, servia para a D. Constança pôr os lençois de molho.

Então, quando o mar estava calmo e convidativo, eu carregava o barco com algum esforço e munida de uma cana com um fio de pesca atado, lá ia eu, qual capitã de longo curso, para uma pescaria que, regra geral, durava a tarde inteira.

O meu anzol era uma carica furada no meio e o isco era algo que eu imaginava que os peixes gostavam muito: Sugus (eu era doida por sugus e achava que os peixes também).

Tinha sempre o barco cheio de peixes saltitantes que conseguiam respirar fora de água e com a boca cheia de sugus.

E conversávamos muito. Eles contavam-me histórias do fundo do mar, aventuras fantásticas que tinham entre corais, algas, grutas e barcos afundados. Foi com eles que aprendi que as sereias existem mesmo. Infelizmente, ninguém acredita em mim.

Entretanto, fui crescendo e deixei de poder pescar. Não é lá muito saudável fazer pescarias deste tipo e, ainda por cima, falar com os peixes.

Por isso, quando tenho muita vontade, tomo uma dose extra de Haloperidol e sei que, o meu marido, me mistura gotas de Sinefril na sopa. Como não me conformo com esta proibição, que considero injusta e excessiva, às escondidas, quando ninguém está a ver, vou até às profundezas do oceano, e entre uma orgia de sugus, continuo conversas que foram interrompidas, gesticulando e rindo com cardumes amigos de longa data.

E...sou tão feliz!!!

 

publicado por Gabriela às 13:06
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Domingo, 11 de Fevereiro de 2007

MULHERES IGNORADAS

Impressionante !!!

Como o povo português se abstém, num assunto tão importante, como é, não considerar crime punível com 3 anos de prisão, uma mulher que aborte !!!...

publicado por Gabriela às 21:33
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Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007

QUERO UM SONOTONE...

publicado por Gabriela às 16:07
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BURACO NEGRO

estou, sem estar

quero ir embora

deitar-me e

estou tão, tão cansada

e tão vazia, tão triste, tão terrivelmente triste

num poço fundo de tristeza, do qual tão pouco de lá quero sair, apenas quero poder enroscar-me em posição fetal e adormecer

e eu quero adormecer

quero enroscar-me, sozinha, bem quente com cobertores, enroscar-me e adormecer

ou ficar quietinha se não adormecer

mas enroscada e quente...quente...quero estar quente

preciso de estar quente, enroscada e quente...com cobertores, edredons , mas quente

só quero estar quente, enroscada e quente

em posição fetal, sem liquido amniótico

e sem nascer...não quero nascer...só quente

enroscadinha em cobertores quentinhos

cobertores, ou mantas ou edredons quentinhos

e eu lá enroscadinha...quentinha

quero tanto estar quente

com muitas camisolas e cachecóis e muitas mantas muitos cobertores muitos edredons até ficar

quente quente quente quente quente quente quente quente quente quente

quente quente quente quente quente quente quente quente quente quente

     e muitas mantas e muitos cachecóis e muitos cobertores e muitos edredons

até ficar quente quente quente quente quente quente quente quente quente

quente quente quente quente quente quente quente quente quente quente

 

Ah, é verdade...também quero um aparelho em forma de feijão que o Lobo Antunes também gosta, e que é da marca Sonotone (gosto tanto deste nome) e gosto de o ver nas orelhas das pessoas no metro. (Acho que a mim também ficava bem)

publicado por Gabriela às 15:56
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SÓCRETINOS

Choro quando choro

Rio quando rio

Choro quando rio

Rio quando choro

Para além, da moca de gostar de me ver chorar ao espelho

As caretas… e depois rir das caretas enquanto o choro aumenta na mesma proporção que o riso

Uma moca!

Vivo num bar de alterne

Alterno…sou uma alternadeira

sem ou com lanterna vermelha à porta dos olhos?

 E tenho o pdf da eu carolina

 E tenho uma cadela cega e incontinente

A guardar a lanterna dos olhos verdes

Ó pó mail que recebi indagorinha:

 

Alô? Está lá? Prof. Mariano Gago? É O Zé Sócrates. Oh, pá, ajuda-me aqui. Comprei um computador... Mas não consigo entrar na Internet!

Estará fechada?

- Como? Desculpa?....

- Aquilo fecha a que horas?

- Zé, meteste a password?

- Sim! Quer dizer, copiei a do Freitas.

- E não entra?

- Não, pá!

- Hummm... Deixa-me ver... Qual é a password dele?

- Cinco estrelinhas (*****)...

- Oh, Zé!... Caralho.... Bom, deixa lá agora isso, depois eu explico-te.

E o resto? Funciona?

- Também não consigo imprimir, pá! O computador diz: "Cannot find

Printer"! Não percebo, pá, já levantei a impressora, pu-la mesmo em frente ao monitor e o gajo sempre com a porra da mensagem, que não consegue encontrá-la, pá!

- ??????... Vamos tentar isto: desliga e torna a ligar e dá novamente ordem de impressão.

Sócrates desliga o telefone. Passados alguns minutos torna a ligar.

- Mariano, já posso dar a ordem de impressão?

- Olha lá, porque é que desligaste o telefone?

- He, pá! Foste tu que disseste! Estás doido ou quê?

- !?!?!!???... Dá lá a ordem de impressão, a ver se desta vez resulta. 

- Dou a ordem por escrito? É Um despacho normal?

- Oh, Zé... !!!... He, pá! Esquece... Vamos fazer assim: clica no

"Start" e depois... 

- Mais devagar, pá, mais devagar! Não sou o Bill Gates...

- Se calhar o melhor ainda é eu passar por aí... Olha lá, e já

Tentaste enviar um mail? 

- Eu bem queria, pá! Mas tens de me ensinar a fazer aquele

Circulozinho em volta do "a".

- O Circulozinho?!... Pois... Bom... Vamos voltar a tentar aquilo da

Impressora. Faz assim: começas por fechar todas as janelas. 

- Ok, espera aí...

- Zé?... Estás aí? 

- Pronto, já fechei as janelas. Queres que corra também os cortinados?

- ??#?!$!?$@&&... Senta-te, OK? Estás a ver aquela cruzinha em cima,

No lado direito? 

- Não tenho cá cruzes no Gabinete, pá!...

- Ai... Que caralho... Zé, olha para a porra do monitor e vê se me

Consegues, ao menos, dizer isto: o que é que diz na parte de baixo do

ecrã? 

- Samsung.

- He, pá! Vai para o...  

- Mariano?... Mariano?... Tá lá?... Olha... Caiu a chamada!

publicado por Gabriela às 14:43
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A MORTE ANUNCIADA

Dormitava, numa sonolência estranha, na cadeira dura de plástico…ouvia ao longe, a voz, metálica

Senha C, balcão 3 e no placar o número a verde 326.

E o meu sono a confundir-se com o pano de cozinha bordado a ponto cruz, linha azul, furado com uma agulha por entre buraquinhos de pano, onde entrei, primeiro a medo, hesitante, e de repente tragada em fúria para as entranhas da baleia, e eu estarrecida a pensar:

Então, não foi o que aconteceu com o Pinóquio?

Sou eu a história, estou nela, e naúfraga num pedaço de casco de navio, à deriva por entre estômago, rins, intestino, longos corredores de intestino, carregados de entulho e peixe podre a cheirar àquele odor característico de uma morte anunciada mas sempre camuflada por antissépticos e desinfectantes.

E a voz metálica

Senha A, balcão 5 e no placar o número 531

E eu a sair da senha A que não é a minha, a nadar com o meu pedaço de casco a entrar por becos e vielas da corrente sanguínea da baleia. Não da Baleia Santa Ana, da outra, da Baleia Santa Maria.

E nisto, a agulha com o fio azul do ponto cruz suspenso no ar e ela, Santa Maria, mãe de deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte e o Ámen dado, em forma de panfleto, com um não em letras garrafais.

E eu a preferir sair dos becos, a preferir as vielas dos bêbados e putas nas esquinas, o cheiro a vomitado e a sexo, sempre camuflado pelos antissépticos e desinfectantes, encostada ao candeeiro de luz trémula a pensar se seria este o cais e a rejeitar o panfleto do Ámen com o não.

Senha C, balcão 3 e no placar o número a verde 327.

Preciso de encontrar o balcão 3, e a agulha do ponto cruz a mandar-me seguir uma seta que dizia Saída, mas que estava perdida na viela onde o bêbado vomitou bílis verde e a puta riu, um riso sem dentes, gengivas, buracos, os olhos enormes bolas brancas pintadas de rosa choque.

E eu perdida, às voltas por entre vielas de intestinos a pensar na tabuleta saída que me leve até a uma artéria, não daquelas concorridas e cheias de trânsito, uma pouca iluminada, sem cheiro a vomitado, com bêbados e putas mas sem cheiro a vomitado, mas também sem cheiro a antisséptico e desinfectante

Senha E, balcão 1, não vi o número a verde no placar.

E agora?

Santa Maria, mãe de deus, rogai por nós pecadores, a agulha do ponto cruz novamente em suspenso.

E a Santa Ana, não é por aí, as artérias não são avenidas, procura a tabuleta que diz avenida e não essa que diz saída e está perdida, já não sabe indicar, está perdida, ouviu, não a siga.

E eu às voltas, já não nos intestinos mas na corrente sanguínea da baleia, nos becos, vielas e artérias, sem me orientar para a saída da avenida.

Senha C, balcão 3 e no placar o número a verde 328, a voz doce da Sant’Ana de encontro ao meu peito é por ali, venha, é esta avenida, não, essa artéria não, esta avenida que a leva às searas do sul.

E a voz da agulha suspensa no ar, agora e na hora da nossa morte.

E o Ámen?

Esqueceu-se do Ámen.

E eu a adiar … e as searas do sul ao fundo

E eu de encontro a elas. A sair da baleia, o som de um riso que sempre me preencheu, a voz doce a dizer dói e como dói adie

E eu a adiar…

E a cair num sono profundo

publicado por Gabriela às 11:13
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Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007

DESCONHECIDO

Encontrei este texto, algures, na net…andei quase 1 ano à procura da autora. Sim, porque foi escrito por uma mulher.

Até hoje, não descobri de quem é…queria saber para pedir autorização para publicá-lo no meu blog.

É que eu acho tão bonito.

Gosto tanto!

E então, hoje decidi publicá-lo (mesmo sem autorização):

 

…”Que a morte de tudo o que acredito... Não me tape os ouvidos e a boca... Porque metade de mim, é o grito... E a outra metade o silêncio...
Que as palavras que falo... Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor, apenas respeitadas, como a única coisa que resta, numa pessoa inundada de sentimentos... Porque metade de mim é o que oiço... E a outra metade o que calo...
Que esta minha vontade de partir... Se transforme na calma e na paz que eu mereço, que essa tensão que me corrói por dentro, seja um dia recompensada... Porque metade de mim é o que penso... E a outra metade o que sinto...
Que a música que oiço ao longe, seja linda...E que a pessoa que eu amo, esteja sempre amada, mesmo que distante... Porque metade de mim é partir... E a outra metade saudade...”

publicado por Gabriela às 11:07
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EU E AS GALINHAS

Foram as galinhas as responsáveis pelo meu insucesso profissional.

Ainda hoje, as culpo, e ainda hoje, tenho com elas, uma relação de amor-ódio.

E tudo isto porque, quando era miúda, na casa onde nasci, havia um quintal enorme, cheio de árvores de fruta, espaço para andar de bicicleta e, ao fundo, uma capoeira habitada por 7 ou 8 galinhas.

Essas galinhas eram alunas e, a capoeira, a sala de aula.

Arranjava alguidares e caixotes virados ao contrário, e transformava aquele espaço num local, onde o saber e o conhecimento deveriam reinar.

Ora, para eu ser bem sucedida na profissão de professora (é um facto que, ainda não tinha feito o estágio, nem a profissionalização, mas isso não passa de meras desculpas para o meu fracasso) era necessário que:

1 – as alunas se sentassem e se prontificassem a ouvir-me;

2 – começar a lição, ou seja, começar a ensinar.

Munida da sacola da escola, entrava na sala de aula, e dizia “bom dia” (ficava horrorizada porque nem uma respondia, o que eu considerava, um desrespeito total e uma total falta de educação para comigo).

A seguir (e uma vez que, lidava com a pior turma do colégio de freiras), tentava que elas se mantivessem em cima das improvisadas secretárias.

Uma a uma (fui pioneira nas pedagogias diferenciadas), colocava-as em cima da secretária e (parecia de propósito…era de propósito…estavam combinadas) elas saltavam de novo para o chão, com as asas a bater num alvoroço que dava cabo de mim (ainda apanhei alguns sustos, quando isso acontecia, de repente, no meu colo).

Era um pandemónio.

Levava horas a tentar que elas se mantivessem em cima das secretárias e elas não me obedeciam.

Quando já farta de tanta insubordinação, adiava para o dia seguinte a nobre arte de ensinar (não antes de as ameaçar com falta colectiva, com o fogo do inferno e de fazer participação à madre superiora).

E no dia seguinte e, nos outros a seguir, o fracasso continuava.

Comecei a achar que elas eram estúpidas, e dei por mim a achar-me igual a elas.

E essa parecença incomodava-me.

Sempre que me olhava ao espelho, via em mim, um cérebro minúsculo, um olhar vítreo, sem qualquer sinal de vida, quanto mais de inteligência.

Comecei a tapar todos os espelhos que encontrava com uma cartolina preta.

Essa incapacidade de me firmar na vida profissional, devo-a às galinhas.

Mas, verdade seja dita que, quando vejo uma capoeira, ainda sinto vontade de voltar a investir na nobre arte de ensinar.

Refreio essa vontade, apenas e só, porque me é dolorosa a confrontação com o meu cérebro minúsculo, a minha total falta de inteligência, o meu olhar vítreo e a minha falta de crista.

publicado por Gabriela às 08:55
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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

INTUIÇÃO VERSUS OMISSÃO

Tenho andado nos últimos dias, irada, a dar respostas tortas, sem paciência para os que me rodeiam (eu…que sou o cúmulo da paciência e da tolerância – segundo dizem), zangada com o mundo, estado de espírito que, apenas traduz, alguma (ou muita?) infelicidade que sinto.

Hoje, não!

Hoje estou triste, deprimida, vazia, oca…

Acordei assim!

Todos os dias, tenho um acordar diferente.

(Gosto daquele em que acordo espantada!)

E estou assim, se calhar, pelas omissões da vida. Espaços por preencher, por dizer. As entrelinhas com que me entretenho a brincar, saltando por entrelinhas e entre linhas, já traçadas por outrem, num “olhar intrometido e comprometido” sem me querer (ou querendo?) intrometer e, muito menos, comprometer.

A dicotomia entre o ser e o parecer? Entre o sonho e o desalento? Entre o desalento a coberto do sonho? Nem um, nem outro? Entre o amor e o desamor, entre o desamor a coberto do amor? Nem um, nem outro?

Deve ser da intuição…da mania de intuir. Até porque gosto do verbo intuir…da 1ª pessoa do singular: eu intuo! (gosto…soa bem…gosto das palavras que soam bem…que são baixas, graves e, sobretudo, doces!)

O silêncio, a mim, mata-me …aos poucos!

E eu não entendo, continuo sem entender porquê.

E como sou obsessiva, compulsivamente obsessiva, enquanto não me for explicado e eu não compreender, vou continuar a ter dias assim, apesar de, até, preferir os outros.

E a latejar e depois a doer… E a latejar e depois a doer … E a latejar e depois a doer… E a latejar e depois a doer…

(Estarão vírgulas a mais ou, a menos?)

publicado por Gabriela às 16:10
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Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2007

ANTÓNIO LOBO ANTUNES

(Sátira aos HOMENS quando estão com gripe)

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai
mulher que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai
mulher, mulher , não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai
mulher , mulher fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai
mulher , mulher nem dás por nada.
Faz-me tisasna e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sózinho a apodrecer,
Ai
mulher , mulher que vou morrer.

publicado por Gabriela às 13:27
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AS FORMIGAS E EU...

Adoro Formigas!!!

Vem de muito longe esta minha adoração por formigas.

Quando vejo um carreiro de formigas, sento-me ao lado e admiro sinceramente toda aquela organização. É um vaivém de pequeninos seres pretos, uns a irem, outros em sentido contrário (lol...enganei-vos), quase nunca se tocando e sempre a carregarem qualquer coisa que, teimosamente e com muito esforço, levam para um buraco que fica por cima de um "morro" de areia.

Eu fico cansada só de as ver. E para atenuar um pouco todo aquele árduo trabalho, ando à procura de comida que, em bocados pequenos, atiro para dentro do buraco.

E faço isto, pensando sempre que, tendo elas a despensa cheia, tirarão um tempo para descansar. (Se todos os meses, alguém me depositasse uma boa quantia na minha conta, de certeza que eu tiraria mais tempo para descansar).

Como me iludo...(passo a vida a iludir-me).

É que, mesmo assim, elas lá continuam indiferentes ao cansaço e ao merecido descanso, carregando a comida, num vaivém permanente, conseguindo(?) superar os objectivos traçados por e para elas.

Fico sem perceber se, elas são estúpidas ou, apenas workólicas (está na moda esta palavra).

Também penso que elas querem lutar pela ínfima parcela do excelente, na avaliação do desempenho.

Cá para mim, e digo isto em segredo, elas são parvas e desarrumadas.

Onde já se viu, tendo a despensa cheia, continuarem a carregar comida que, com certeza, deve estar espalhada e amontoada  pela casa toda.

Ainda para mais, com as progressões na carreira congeladas e sem qualquer possibilidade de ascenderem ao excelente.

Sim porque, como elas não aceitam a comida que eu lhes dou, não se deixam espezinhar, não se vergam, não servem de tapete, não andam na horizontal, nem se calam quando as coisas não vão bem, que hipóteses têm elas de subir na carreira?

publicado por Gabriela às 08:23
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Segunda-feira, 5 de Fevereiro de 2007

FESTA NA MORTE

O Inocêncio é um homem de raça negra, angolano, na casa dos trinta, testemunha de jeová, inteligentíssimo, com uma enorme sede de conhecimento, benfiquista e um fundamentalista ferrenho contra o tabaco, desde que, leu na net, que o tabaco provoca a impotência.

O Inocêncio é auxiliar e trabalha no mesmo piso que eu.

Aqui, há dias, faleceu repentinamente, um funcionário da casa, vítima de enfarte, com 62 anos.

Uma enorme consternação se gerou no meu serviço.

E todos se uniram (agora, os trabalhadores só se unem para jantares de natal e falecimentos) para a compra de flores, coroas, a fim de se prestar a devida homenagem ao falecido.

O Inocêncio com o seu espírito prático, achou muito mal que se gastasse dinheiro em coisas, que bem vistas, são absolutamente inúteis.

“Se, nos casamentos, as pessoas oferecem dinheiro, porque não fazê-lo, quando alguém morre? Ajudava a pagar o funeral que, como todos sabem, estão caríssimos”…disse, peremptório!

Ninguém achou piada a esta saída do Inocêncio.

Eu achei…e muita!!!

Acrescento, ainda, que vou institucionalizá-la.

E se sobrar dinheiro do pagamento do funeral, a família podia pagar uma rodada de bejecas, em homenagem do defunto(a)

Boa?

publicado por Gabriela às 14:21
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Domingo, 4 de Fevereiro de 2007

A NÃO PERDER...

 

JÚLIO QUARESMA

EXPOSIÇÃO "MARE NOSTRUM"

FORUM CULTURAL DE ALCOCHETE

24/01/07 A 09/04/07

publicado por Gabriela às 23:54
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Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007

...

HOJE ... TAMBÉM NÃO !!!...
publicado por Gabriela às 13:03
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Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007

...

HOJE NÃO ME APETECE !!!....
publicado por Gabriela às 13:41
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