Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

TRAUMAS DIVERSOS...

As traseiras da minha casa, em Portimão, para além da porta que dava acesso à rua e ao parque onde eu estacionava o carro, tinha também, uma espécie de “hall” com paredes dos lados e atrás e totalmente aberto à frente. Era acolhedor, nos dias de chuva, dava para sacudir os chapéus de chuva, tirar o capuz da gabardine, com aquele gesto denunciador de “Ah…que bom…finalmente livre”.

Como era pequeno, não servia para os putos brincarem, mas tinha uma utilidade muito emocionante.

Era nos cantos côncavos das paredes que as andorinhas construíam os ninhos.

Para mim era como transportar-me para o campo, sair de casa bem cedo para ir trabalhar e presenciar as cabecinhas das andorinhas bebés, de fora do ninho, de boca aberta à espera que os progenitores as alimentassem.

Um dia, mesmo ao sair de casa (porra, podia ter acontecido durante o dia e eu ausente), o ninho ( com o peso, talvez) cai, desfaz-se aos meus pés, e 4 ou 5 andorinhas com 2 ou 3 dias de eclodidas, ainda sem pelo, estatelam-se no chão. Mortas!

O pior foi a chegada dos progenitores, o darem-se conta do ninho despedaçado, a voar em círculos, por cima dos bebés mortos, voos rasteiros, voos altos, desorientados, desesperados.

E eu ali, estática, aflita, sem conseguir ir embora, o tempo a passar, os utentes do hospital à espera, a olhar para os bebés mortos, o ninho despedaçado, disposta a tudo, para voltar a reconstituir o irreconstítuivel.

Quando finalmente me impus a sair daquele cenário trágico, as lágrimas caíam-me em cataratas.

(Texto escrito, hoje, para manter a minha sanidade mental, enquanto assistia a um trama urdido para tirar o tapete a alguém...)

publicado por Gabriela às 14:43
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