Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2007

NADA

Não te esqueças do pacto que fizeste, naquele dia em que o sol beijava a lua no preciso momento em que, dentro de ti, o eclipse lunar explodia em estrelas cadentes.

Saíam asas da tua boca e raios amarelos das pontas dos teus dedos,

duas pedras da cor da esmeralda engastadas em dois riscos pretos

que reflectiam…

reflectiam o quê, sua parva?

O momento em que saltaste da ponte e a quiseste como tua?

que sangraste que nem uma porca

e, mesmo assim, a quiseste para ti?

Reflectiam o quê, sua parva?

As asas que não tens, os raios que se dispersaram?

E essas pedras da cor da esmeralda…

Isso interessa para quê, idiota.

Alguém entra nelas e se perde no emaranhado dos teus afectos?

Não são asas de borboletas, há muito que elas deixaram de esvoaçar e de zelar pelo teu sono.

São asas de morcegos, de abutres, aves de rapina que se escondem de noite, predadoras, hipnotizantes.

Aliás, essa cor, a da esmeralda, engastada entre dois riscos pretos, são de serpente cascavel. É por isso que ficas estática, como um ser indefeso, ondulante, rastejante, alerta à presa que se escapa, deixando um trilho de pele, rasto de cascavel…

Há muito que sei que te escondes em prados verdejantes, cobertos de papoilas vermelhas. E sei que procuras a branca, rara entre as vermelhas, para uma vez mais, qual abutre, sugares o sumo, a pasta leitosa, o ópio que te adormece, e sei, sua imbecil de merda, como tu também sabes, que esse sono não é eterno, mas feito de intermitências.

Deixa-te estar, queda-te em câmara lenta, são instantes, não os queiras para ti, não os retenhas dentro de ti, deixa-os passar, são tão rápidos, tão velozes…deixa-os ir, deixa-os partir…

Nesses momentos até podes pensar nas pedras da cor da esmeralda mas, e que isso fique bem claro, na tua mente de atrasada mental, são só pedras, não inventes que são mais do que isso, porque não são.

Reduz-te a esses instantes velozes, rápidos e que não queres e não vais reter...são instantes insignificantes, rápidos, velozes, com órbitas brancas, sem verde, sem riscos pretos, sem campos de papoilas, sem borboletas que zelam o sono, sem raios, sem asas, sem rastos de serpente, sem pele, sem sono, sem ópio, sem intermitência, sem ponte, sem instantes e, cabra de merda, sem afectos.

 

 

publicado por Gabriela às 11:15
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1 comentário:
De Ana a 13 de Fevereiro de 2007 às 13:31
valha-te deus...
estás linda, sim!

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