Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

HOMENAGEM A...

 

ZECA AFONSO

MORREU HÁ 20 ANOS...

 

publicado por Gabriela às 10:21
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1 comentário:
De Anónimo a 25 de Fevereiro de 2007 às 20:22
Para mim existem dois Zecas: um dantes; outro depois. Do Zeca de depois, não gosto.
O meu Zeca, o Zeca de que todos gostavam, o Zeca com que todos se identificavam: pelo menos todos aqueles que se identificavam com um país de Abril; era o Zeca dantes. Sendo que o antes e o depois tem a ver com Abril... um país de Abril.
Muitos esqueceram ou não se lembram, nem sequer sonham que antes de existir um país real de Abril, já existia um país sonhado de Abril...
Lembrei-me de um tempo em que outros zecas, juntamente com o Zeca, procuravam e acreditavam no País de Abril.

De repente lembrei-me de toda essa gente sonhadora que na sombra buscavam Abril... Fui à estante, procurei e... eureka! encontrei... Um caderninho, um cancioneiro...
A capa é uma folha de papel pardo velho e gasto, com manchas de gordura: Na frente, um cacto gigante, gordo, com ramos igualmente grossos, cheio de picos grandes em forma de agulhas mais ou menos compridas; na extremidade de um dos ramos, aquilo que se pretendia ser um bocado de carne arrancada de um corpo em fuga, em forma de flor, um cravo talvez, a sangrar... Por baixo um texto manuscrito, ligeiramente ondulante: Eu canto para que os desertos fiquem à sombra. No reverso da capa, um pequeno texto, em maiúsculas, formato de imprensa, muito alinhado: ERGUEI-VOS, LEVANTAI A CABEÇA PORQUE A VOSSA LIBERTAÇÃO ESTÁ PRÓXIMA. Em letras miudinhas por baixo: LUCAS 21-28.

O caderno ou cancioneiro, divide-se em 6 Temas corridos por folhas de letras borratadas, mal formadas, algumas delas imperfeitas; copiadas do stencil batido à máquina de escrever, movido manualmente por uma manivela, que o obrigava a passar por um pequeno tanque de tinta preta e em seguida poisava sobre folhas brancas, deixando lá as suas marcas de impressão, numa época em que se desconheciam fotocopiadoras ou computadores.

Os temas: A miséria do povo, A opressão dos endinheirados, A guerra e o militarismo, A juventuda tem razão, Apelo à coragem, Enquanto a esperança não morre

Cada um dos temas continha letras gravadas de poetas e músicos de então, ilustres desconhecidos: M. Alegre, Daniel Filipe, J.G. Ferreira, J. Negalho, J.C. Mello Neto, Chico B. Hollanda, Adriano C. Oliveira, Luis Cília, M. Freire, A. Portugal; mas também, o maior deles todos, o Zeca, O Principe dos Principes e Tantos, tantos outros; mas também Babel e Sião de Camões. A maior parte das gravações ou não existiam, ou as que existiam, eram de qualidade mais que duvidosa.

O Zeca, por ser genial, tinha o privilégio de ter dois reportórios: um mais inofensivo, ou talvez não, gravado e acessível; outro, mais subversivo para os padrões da época, clandestino e de difícil acesso. De todos era o maior e o que mais riscos corria; letra e música chegavam a todo o lado.

Gosto deste Zeca e de todos os outros zecas da altura.
Muitos outros poetas e músicos da época, ilustres desconhecidos de então, existem e constam deste pequeno cancioneiro que me veio parar às mãos em 69. Todos comungavam de um sonho: chegar ao País de Abril. Alguns conseguiram-no; outros não, como diz a canção: Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve/que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro.
O que interessa mesmo, é que o sonho de 69...

“ ENQUANTO A ESPERANÇAO NÃO MORRE
Nem sempre há noite. Por vezes há sol. E quando os homens não têm sol nunca mais o deixam fugir. Em linguagem que está na moda podíamos dizer que o sol é irreversível. Quando o sol vem, quando o sol fica tem-se tudo o que se quer; Há muitas coisas que vêm com o sol. Aqui é o país do sol; se não for façamo-lo. Como? Chamemos todos os poetas, chamemos todos os pobres, quer dizer os menos – os menos em dinheiro, menos em sangue, menos em sorte, menos em tudo – e depois chamemos também os homens que querem. Deste encontro há-de resultar, temos a certeza, o país de Abril.

Mas estamos todos, Porque não há então país de Abril? Porque a esperança ainda não é suficientemente forte para empurrar a verdade. A esperança começa a engrossar ( até já pensamos no país de Abril) e um dia será um rio, (e os rios não se podem deter por muito tempo) será o rio do país de Abril.”

virou da esperança à realidade: o país de Abril existe desde 74. O Zeca entrou no sonho como muitos outros e foi seu arauto, ajudou-o a tornar realidade. Gosto desse Zeca

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