Quinta-feira, 15 de Março de 2007

RUPTURA

Fechei-te a porta naquele dia.

O sol entrava pelas janelas, mas a neblina era bem mais poderosa.

Estavam cavalos a pastar no campo, coberto de papoilas, em frente à janela e um coelho a esturgir num tacho ao lume, e eu fechei-te a porta.

A mesa quase posta, o estrondo da porta, o sol a desaparecer por entre a neblina, o som de um cavalo a relinchar, em trote, a esmagar as papoilas.

E eu a pensar: “morreram…as papoilas morreram”

As borboletas azuis e amarelas a esvoaçarem, a relva fresca da neblina, o sol no alcatrão a queimar-me os pés.

E o estrondo da porta.

O som dos teus passos.

E o coelho na caçarola a pegar-se ao fundo. A cabeça com órbitas saídas a olhar-me fixamente.

E eu a pensar nas papoilas mortas sob os cascos do cavalo, e no estrondo da porta, e no som dos teus passos a desaparecerem, e no cheiro do coelho queimado e na mesa posta e eu, de um lado para o outro, com o peito rasgado, de órbitas saídas, a árvore só ramos secos no vaso, a pensar no arroz do acompanhamento, mas estática, com medo da cabeça de órbitas saídas, e tu…tu já longe, as papoilas mortas, o meu peito rasgado, eu frenética, epiléptica, eléctrica, desorbitada….

E tu, e tu, e tu

E o estrondo da porta

E o eco dos teus passos

E tu já tão longe

E eu de peito rasgado, rodeada de papoilas mortas, a tentar apanhar uma borboleta azul e amarela.

publicado por Gabriela às 08:32
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